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  • Writer's pictureRui Marques

Cuidar dos laços #2

Bom ano! Cá estou, como prometido, cuidando dos nossos laços. 2022 começou com novos solavancos provocados por uma pandemia que teima em não nos deixar. Já com a impaciência a evidenciar-se perante números nunca vistos – ainda que sem a letalidade anterior à vacina – cá estou a retomar o contacto convosco, trazendo-vos sugestões e recursos que nos podem inspirar.

Regresso ao tema dos laços, agora a nível social. Johnathan Sacks foi um relevante autor do mundo judaico que importa recordar. Hoje, proponho-vos que regressemos a uma das suas intervenções – A Política da Esperança – em que nos fala da importância do pacto social que devemos estabelecer entre nós, numa comunidade de cuidado mútuo.




E esta relação empática, que constitui uma das nossas maiores vantagens colaborativas, tem no nosso trabalho do Fórum para a Governação Integrada um dos eixos de ação consequente com este princípio, nomeadamente através da Academia de Liderança Colaborativa. Leva-me a memória a regressar à Conferência Internacional de 2020, pouco antes de começar a pandemia, para recuperar um dos diálogos mais estimulantes entre um economista muito especial, José Manuel Henriques, e uma bióloga, Diana Prata, que conversam a partir da provocação: “Faz sentido colaborar?”




Sempre na senda das pontes que podemos construir, sugiro-vos um mergulho numa magnífica série disponível da Netflix, “A Sabedoria do Tempo”, inspirada pelo Papa Francisco, que nos traz um enfoque pouco comum de um mundo visto por olhos com mais de 70 anos. Estimulando a interação entre gerações, desafiando os mais novos ao olhar merecidamente atento aos que levam consigo já o saber e o sabor da vida, esta série guia-nos pelo Amor, pelos Sonhos, pelas Lutas e pelo Trabalho, em quatro estações magníficas.




Uma outra forma de celebrarmos este tema que nos inspira este mês, passa por recuperarmos um dos Contos Ubuntu, interpretados por Francois Vallaeys, que se chama Kandata. Um conto de tradição budista, com uma lição de Shakyamuni, o muito amado Buda, que deveria ecoar em todos nós. Por que não todos?




A propósito de ecos, ainda está nos nossos corações o Encontro Nacional de Escolas Ubuntu, que teve lugar no dia 8 de novembro, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Foi um momento mágico que nos inspirou profundamente. 1300 Ubuntus, de Escolas de todo o país, vibraram juntos, numa sintonia única. Um dos momentos altos a que vale a pena retomar foi protagonizado pela Margarida, estudante do AE Nuno Santa Maria, de Tomar. A meio do painel sobre as experiências Ubuntu em cada Escola, no qual era uma das participantes, levantou-se e com a sua guitarra deixou-nos a sua interpretação do que é o Ubuntu. E encantou-nos a todos.




Um dos nossos compromissos de serviço ao bem comum é fazê-lo como missão global, para todo o mundo. Dizia António Vieira, que “Deus deu-nos Portugal para nascer e o Mundo para morrer”. A vocação global é uma das nossas marcas. Nessa linha, vamos interagindo com personalidades de vários países, com quem aprendemos e aprofundamos o nosso trabalho. Hoje quero trazer-vos a Jennifer Adams, co-presidente da rede KARANGA, uma aliança global para a educação social emocional e ex-diretora de Educação, em Otawa, no Canadá. A Jen dedicou um dos seus podcasts à Academia Ubuntu, numa conversa em que tive o gosto de participar. Aqui fica (em inglês) o registo dessa conversa.



No crescimento de rede Ubuntu estamos a chegar também ao 1º Ciclo, com um piloto experimental, em várias cidades. Os resultados têm sido muito animadores. Para inspirar esse trabalho, a Luísa Vidal, uma das Ubuntus que todos muito estimamos, compôs uma música para os Ubuntus juniores. E se a letra/música é muito especial, ainda mais especial fica com a interpretação da Catarina Pereira, em língua gestual portuguesa para nos apontar o caminho à plena integração de todo/as.




Neste tempo (ainda) de pandemia, a todos nos preocupa a dimensão da saúde mental. Os impactos são muitos e profundos, ainda que nem todos sejam já visíveis. Um dos nossos parceiros de excelência é a Ordem dos Psicólogos Portugueses, com quem temos trabalhado a propósito da Academia Ubuntu. Vale a pena conhecer o seu portal “Eu Sinto-me” que reúne um conjunto de recursos e de informação sobre saúde psicológica e bem-estar que nos podem ser úteis.




Há alguns dias chegou-me a noticia de uma “estória” de ética do cuidado bem divertida que quero partilhar convosco. A meio de uma manifestação bastante vocal, um carro com uma mãe e o seu filho ficou envolvido pela multidão. A criança assustou-se com o ar ameaçador da multidão e começou a chorar. Os manifestantes perceberam e reagiram 🙂. Ora vejam, como podemos cuidar uns dos outros….




Este fantástico gesto de empatia, traz-nos ao desafio que vos deixo este mês. A nossa comunidade é uma comunidade de inspira-ação🙂. Queremos inspirar ações que promovam a mudança, começando por nós próprios. Assim convido-vos a juntarem-se à “Semana Ubuntu da Empatia” que decorrerá entre 21 a 25 de fevereiro, com a dinamização das Escolas Ubuntu, com os seus Clubes Ubuntu, propondo cada um deles várias atividades para essa semana. Também outros núcleos, como por exemplo o Ubuntu Coimbra, que reúne a Universidade, o Inst. Politécnico, a Escola de Enfermagem, o Inst. Justiça e Paz e a Cáritas estão a organizar o seu programa para a verdadeira revolução da empatia que precisamos.

Podem inscrever já atividades que queiram desenvolver nesta Semana neste link para integrarem o programa oficial da Semana Ubuntu da Empatia. Em breve partilharemos mais informações sobre o programa.




Entretanto, passei a reunir alguns dos meus contributos num espaço pessoal online. Em www.ruimarques.org podem encontrar histórias e paisagens da viagem de quem procura ser um “homem para todas as estações”, com paixão e entusiasmo, misturando utopia e pragmatismo.

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