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  • Writer's pictureRui Marques

O mundo está estranho... e infeliz. Há que fazer algo.


Provavelmente não vos vou surpreender muito, mas os dados do mais recente relatório da Gallup sobre o Estado Emocional do mundo refletem alguns dos desafios que vivemos. Causa ou consequência? O certo é que os dados obtidos fazem pensar e chamam à ação.


Em junho passado, a Gallup apresentou o seu relatório "World Emotions Report" de 2022, com dados de inquéritos em 122 países. Os dados convergem com o esperado de um mundo mais triste e mais infeliz. O segundo ano da pandemia (2021) agravou os sentimentos negativos, atingindo um valor recorde.



Em 2021, quatro em 10 adultos em todo o mundo disseram sentir muita preocupação (42%) ou stress (41%) e pouco mais de três em cada 10 sentiram muita for física (31%). Mais de um em cada quatro experimentou tristeza (28%) e um pouco menos de raiva (23%). Obviamente não surpreende que o país com valores mais negativos seja - desde 2017 - o Afeganistão.


Com o que sabemos de 2022 - Guerra na Ucrânia, crise, inflação e energética, crise alimentar... - é provável que este valor volte a subir. Porém, quando olhamos com atenção o gráfico, verificamos que não se deve exclusivamente ao Covid-19. Antes de 2020, a tendência do crescimento deste sentimento negativo já vinha desde 2014. Há, portanto, um problema de fundo.


Este caldo social e cultural explica também um outro fenómeno correlacionado que tem a ver com o comportamento eleitoral polarizado ou de contestação social inorgânica que cresce a par com este sentimento de frustração. Pacheco Pereira, em artigo no Público, em julho passado alertava:


"Depois de uma pandemia, de uma guerra convencional no centro da Europa, de incêndios incontroláveis por todo o mundo, não me admira a zanga. Podia ser tristeza e depressão, também é, mas a zanga é outra coisa. É mais perigosa".


E mais adiante, dizia:

"A falta de esperança que é do domínio cultural, é que é mais perigosa para a democracia".

Da nossa parte, a resposta só pode ser uma: contrariar esta espiral perigosa, para nosso bem e de todos à nossa volta. Há que procurar, juntos, respostas eficazes a este estado de espírito.

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