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  • Writer's pictureRui Marques

Uma tragédia incomensurável


AFP
AFP

O que está a acontecer no Afeganistão é uma tragédia incomensurável. O colapso fulminante da estrutura do Estado afegão, a saída atabalhoada do presidente e o controle de Cabul pelos talibãs deixa as maiores preocupações para o futuro próximo. Desde já, o impacto de uma nova vaga de refugiados, potencialmente de dimensões gigantescas, surge no horizonte imediato. Não é difícil perceber que com este novo poder, para muitos afegãos a única saída é a fuga.


Recordo a este propósito uma conversa, em 2016, num dos campos de refugiados em Atenas, com uma família afegã. O homem contava-nos, numa grande angústia, que jamais poderia voltar ao Afeganistão pois tinha sobre ele uma “pena de morte”, pois tinha sido um pequeno empreiteiro de construção civil que tinha executado obras para as forças americanas. O que mais me impressionava na sua história foi a resposta obtida por esta família quando contactou a embaixada americana, pedindo desesperadamente que lhes proporcionasse asilo. A resposta foi “não”. Não queriam acreditar. Tinham servido os americanos que agora, apesar do perigo, lhes viravam a cara.


Procuraram então a Europa. Ficaram longamente naquele campo. Imagino que hoje voltem a sentir um profundo desespero.


O mundo tem de se preparar para dar resposta a mais esta urgência humanitária. E Portugal não deve ficar de fora desse esforço.

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