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  • Writer's pictureRui Marques

A esperança de Jane Goodall

Sempre tive um fascínio pela figura de Jane Goodall. A sua coragem suave e ousadia sem limites de ir viver para a selva da Tanzânia, para compreender melhor as comunidades de chimpanzés, levou-nos a importantes descobertas sobre estes primatas e sobre a nossa relação com a natureza. Mas não é só sobre isso que tem a ensinar-nos.


Já tendo passado a barreira dos oitenta anos, Jane (como diz com graça, a que deveria ter sido a verdadeira Jane do Tarzan) lançou recentemente uma obra muito interessante, que recomendo vivamente como leitura obrigatória para este arranque de ano: “O livro da Esperança – Manual de sobrevivência para tempos difíceis”. Escrito em diálogo com Douglas Adams (que também já havia desenvolvido um projeto semelhante com Desmond Tutu) a autora parece apostar numa peça final no seu assinalável legado: a capacidade de nos deixar esperança, apesar de tudo.





Goodall parte de uma visão realista que não ignora – bem pelo contrário – a enorme devastação de ecossistemas a que assistiu ao longo da sua vida, tal como os impactos das alterações climáticas. Parte, porém, dessa visão, para construir com palavras e com ações, um horizonte de esperança, fundada em quatro dimensões. Começa por nos recordar a força extraordinária do intelecto humano e como fomos capazes de usar o conhecimento e a ciência para vencer tantos desafios que nos foram inquietando ao longo dos séculos. Por outro lado, lembra-nos da extraordinária resiliência da natureza, - quando permitimos que isso aconteça- que, com frequência, renasce das cinzas. Em terceiro lugar deposita a sua esperança na força dos jovens que, quando estão conscientes e mobilizados, são capazes de ajudar a mudar o mundo. Finalmente, sublinha a indomável vontade humana que pode mover montanhas. Com estes quatro eixos, procura animar-nos a não nos deixarmos deprimir com tantas evidências de uma catástrofe iminente e a tomar nas nossas mãos as ações necessárias.


Salientando a frescura desta mulher, tão jovem no seu espírito de octogenária, o canal de televisão CBS, com o seu programa Sunday Morning, dedicou-lhe uma reportagem que vale a pena ver. A sua celebre serenidade, diretamente proporcional à vontade férrea e à graça sempre presente, fazem desta peça uma inspiração para os nossos dias.



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