Vai estando sistematicamente “em baixo” de tantos milhões de acessos simultâneos que se vão gerando. A Inteligência Artificial ocupou definitivamente o topo da discussão na esfera pública, com o exemplo do “Chat GPT”, da OpenAI. Já experimentou?
Confesso que ultrapassou tudo o que imaginava ser possível nesta fase da Inteligência Artificial. Ter acesso a um software que “conversa” comigo, respondendo de uma forma inteligível a (quase) todas as perguntas sobre temas pré-2021.
Fui testando vários temas e percebendo que, em geral, a qualidade das respostas e a qualidade relacional já evidente é muito boa. Embora sabendo que se trata de um modelo experimental, sabemos que tem capacidade de “aprender” e que o fará tanto mais quanto for usado, o que projeta, para os próximos anos, desenvolvimentos inimagináveis.
Claro que uma das áreas mais afetadas será a Educação. Para escrever este artigo fui conversando com “ele” (ou será “ela”)? Perguntei-lhe inicialmente sobre qual seria o impacto da IA na educação. Respondeu-me (em português) literalmente:
A inteligência artificial tem o potencial de transformar a educação de várias maneiras, tais como:
Personalização: os sistemas de IA podem analisar dados sobre os estudantes e personalizar o conteúdo e o ritmo de ensino para atender às necessidades individuais.
Feedback imediato: os algoritmos de IA podem avaliar o desempenho dos estudantes em tempo real e fornecer feedback instantâneo para ajudá-los a melhorar.
Aprendizado automático: os sistemas de IA podem aprender com os estudantes e adaptar o conteúdo e o ensino para melhor atender às suas necessidades.
Monitoramento e diagnóstico: os sistemas de IA podem monitorar o progresso dos estudantes e identificar problemas de aprendizagem precocemente.
Tutoria: os sistemas de IA podem fornecer tutoria personalizada para ajudar os estudantes a aprender por conta própria.
Acesso ao ensino: os sistemas de IA podem ajudar a ampliar o acesso ao ensino de qualidade, especialmente em áreas remotas e de baixa renda.
No entanto, é importante notar que a IA não é uma solução mágica para todos os problemas da educação e é importante considerar as possíveis implicações éticas e de privacidade ao usar tecnologias de IA na educação.
Prossegui a conversa, perguntando “E como lidar com os medos dos professores face à inteligência artificial?”. Num segundo, o ChatGPT responde:
Alguns professores podem sentir medo ou preocupação em relação à inteligência artificial (IA) e seu impacto na educação, pois podem temer perder seus empregos ou se sentir ameaçados pela tecnologia. Algumas maneiras de lidar com esse medo incluem:
Forneça informações e treinamento: Forneça informações precisas e atualizadas sobre o uso da IA na educação e ofereça treinamento para os professores de como usar essas ferramentas. Isso ajudará a dissipar mitos e medos infundados.
Envolva os professores no processo de desenvolvimento: Permita que os professores participem do processo de desenvolvimento e implementação das ferramentas de IA. Isso os ajudará a se sentir mais envolvidos e investidos no processo e dará a eles a oportunidade de fornecer feedback valioso.
Enfatize a complementariedade: É importante enfatizar que a IA é uma ferramenta complementar e não substituta para os professores. Os professores ainda são essenciais na educação e a IA pode ser usada para melhorar e apoiar seu trabalho, e não para substituí-los.
Mostre exemplos de sucesso: Mostre exemplos de como a IA tem sido usada com sucesso em outras escolas ou instituições educacionais. Isso ajudará a ilustrar como a tecnologia pode ser benéfica e fornecerá inspiração para os professores.
Crie uma cultura de inovação: Fomente uma cultura de inovação e experimentação dentro da escola, onde os professores sintam-se animados e encorajados a experimentar novas ferramentas e metodologias, incluindo a IA.
Mas era necessário colocá-lo em “xeque”. Pergunta seguinte: “Quais são os potenciais impactos do ChatGPT no ensino formal?”
Os potenciais impactos do ChatGPT no ensino formal incluem:
Auxílio na criação de conteúdos educacionais: o ChatGPT pode ser usado para gerar textos, questões de prova e outros materiais educacionais de alta qualidade.
Melhoria da interação entre alunos e professores: o ChatGPT pode ser usado para criar assistentes virtuais que podem ajudar os alunos a compreender melhor o conteúdo e a se comunicar com os professores.
Personalização da aprendizagem: o ChatGPT pode ser usado para criar programas de ensino personalizados que se adaptam às necessidades individuais dos alunos.
Aumento da eficiência do ensino: o ChatGPT pode ser usado para automatizar tarefas educacionais, como correção de provas, o que pode permitir que os professores tenham mais tempo para se concentrar nas tarefas mais importantes.
Melhoria da acessibilidade: o ChatGPT pode ser usado para criar programas de ensino acessíveis para pessoas com necessidades especiais.
Esta resposta não me satisfez pois só considerou impactos potencialmente positivos. Voltei à “carga”. “E impactos negativos?”.
Alguns potenciais impactos negativos do ChatGPT no ensino formal incluem
Substituição de professores: o uso excessivo do ChatGPT pode levar à substituição de professores por computadores, o que pode afetar a qualidade da educação e criar desigualdades sociais.
Falta de interação humana: o ensino baseado em computador pode faltar de interação humana importante entre professores e alunos, o que pode afetar negativamente o desenvolvimento social e emocional dos estudantes.
Falta de flexibilidade: o uso excessivo do ChatGPT pode levar ao ensino rígido e pouco flexível, já que os computadores podem ter dificuldade para lidar com situações imprevistas e questões fora do escopo do programa.
Dependência de tecnologia: o uso excessivo do ChatGPT pode levar a uma dependência excessiva da tecnologia, o que pode causar problemas se a tecnologia falhar ou não estiver disponível.
Problemas de privacidade e segurança: o uso do ChatGPT para armazenar e processar dados pessoais dos alunos pode levar a problemas de privacidade e segurança, se os dados não forem protegidos adequadamente.
Espírito crítico em relação a si próprio? Sim, é o caso.
A conversa continuou (e vai continuar) mas para aqui já chega. Estaremos provavelmente perante uma revolução tão significativa quanto foi a Internet em si mesmo.
PS: no final da “conversa” mantive o registo do humano e disse: “Obrigado!”. Ele respondeu-me: "De nada! Fico feliz em poder ajudar. Se tiver mais alguma pergunta, não hesite perguntar".
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