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  • Writer's pictureRui Marques

Ubuntu em revista: porque o conhecimento conta

Foi uma grande ousadia, mas valeu a pena. O sonho de criar uma revista de ciências sociais (e humanas) em torno do Ubuntu, com particular foco nas experiências da Academia de Líderes Ubuntu, em Portugal e no Mundo, concretizou-se com o primeiro número, lançado no Instituto Politécnico de Santarém. Se não pôde lá estar, já pode ter acesso à sua cópia digital, aqui.



(da Nota de Abertura da Revista Ubuntu)

"No domínio das metodologias inovadoras de educação há, tantas vezes, uma separação excessiva entre o trabalho de terreno e a produção de conhecimento teórico codificado, a partir dessa experiência, estruturada com o rigor científico que se exige nos standards de boas práticas de referência. Se se reconhece que, indiscutivelmente, muitos projetos educativos se baseiam em conhecimento de elevada qualidade, mais rara é, no entanto, a produção sistemática de novos contributos para a ciência a partir da prática dessas atividades. Haverá para isso razões ponderosas, desde a escassez de recursos alocados a estes projetos, que não permitem ir além da execução das atividades previstas, até à urgência da ação que não é compatível com os tempos da investigação científica, passando também pelas dificuldades de diálogo entre as “linguagens” da prática e da reflexão teórica. Acresce que, se isto é válido para dinâmicas de inovação na educação formal, ainda mais o é para projetos de educação não-formal, quase sempre “parente pobre” no mundo educativo, em termos de correlação com a investigação. Desde o seu início, a Academia de Líderes Ubuntu (ALU), definiu como prioridades relevantes, não só a robustez científica das fontes teóricas que enformam o seu método, como também afirmou a ambição progressiva de ir mais longe, através da capacidade de produzir conhecimento a partir da sua experiência. Não se intimidando por estar no domínio da educação não-formal, procurou constituir um Conselho Científico que acompanhasse, de uma forma sistemática e aprofundada, a dinâmica da sua ação. Contou para isso com a generosidade e a competência inexcedíveis dos seus coordenadores, Madalena Alarcão (Universidade de Coimbra) e José Luís Gonçalves (Escola Superior de Educação Paula Frassinetti), que tão bem dirigiram o esforço de orientar esta publicação, mas também com a riqueza dos contributos de cada um dos seus membros, numa diversidade de áreas científicas que proporcionou uma abordagem multidimensional do trabalho da ALU. A todos e a cada um dos membros deste Conselho, a nossa mais profunda gratidão. No seio deste Conselho foi-se desenvolvendo uma reflexão continuada ao longo dos anos, que foi ajudando, de uma forma muito significativa, a dar uma forma cada vez mais sofisticada à intervenção da ALU. Naturalmente, foram surgindo desafios de produção científica aplicada (como o que deu origem à obra “Pilares do Método Ubuntu”) ou ainda dinâmicas de reflexão coletiva como foi o caso do livro “Desafios da Educação em tempos de (pós)pandemia: o contributo Ubuntu”). Por outro lado, no decurso desse processo, foram nascendo diferentes pistas de investigação, muitas delas associadas à vontade de avaliar o impacto do método Ubuntu, para compreender melhor o que se experienciava na Academia. Isso permitiu identificar linhas de trabalho, definir termos de referência e acompanhar a execução de vários estudos, particularmente focados na experiência das Academias de Líderes Ubuntu nas Escolas. É deste enfoque que nasceu a ousadia de fundar uma revista científica, capaz de plasmar conhecimento produzido em torno das ALU, que represente um novo patamar neste processo virtuoso de uma prática que se teoriza e de teoria(s) que inspira(m) uma ação madura. Com o apoio sempre presente do Ministério da Educação, e em particular da Direção Geral de Educação, que muito agradecemos, surge então este primeiro número da revista Ubuntu. Aos autores dos textos que publicamos, expressamos a nossa imensa gratidão, bem como de igual modo reconhecemos à equipa do IPAV, liderada pela Tânia Neves, o enorme profissionalismo e competência com que assegurou que este projeto chegasse a bom porto. Inspirado, na forma e no conteúdo, pelo que deve ser uma revista científica, esta primeira edição da Ubuntu permite-nos continuar a dar passos cada vez mais seguros para uma ação frutífera, que não se esgota no instante em que acontece uma ALU. Sabemos hoje muito mais sobre o impacto do método Ubuntu, nomeadamente nas Escolas, mas como é próprio destes processos, também sabemos muito mais o que não sabemos e, claro, também não ignoramos que deve haver muito que não sabemos que não sabemos. É essa a maravilha da aventura do conhecimento. Por isso, para a agenda futura não faltam temas para investigar e vontade para publicar o que se for descobrindo e construindo. Este caminho só agora começou."

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